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sim. um coelho.

“Sim. Um coelho. Sim. Anda solto pela casa. Sim. É o Óscar!”
Era assim que eu costumava responder à surpresa quando descobriam que andava um coelho pela casa. Nunca tive animais de estimação mas houve um ano que me lembrei de ter um coelho. Quando vi a pequena Margarida com um nas mãos tão pequenino que era, achei lindo. Sim, um coelho. Poderia ter sido um cão? Não. Era um coelho que eu queria. Dizíamos nós que era para trocar experiências. Havia o Pini e o Óscar, mas quando os juntávamos eles não gostavam muito de confraternizar e acabavam sempre por andar um a tentar morder o outro. Um era peludo, outro de orelhas grandes, tinham a mesma idade, os mesmos amigos e eram os mais pequeninas das nossas famílias.
Lembro-me de ter um colega que falava imenso da gata dele, tirava imensas fotografias a ela e falava com um brilho nos olhos que na altura nós -cépticos sem animais em casa- não percebíamos tamanha paixão e era um fartote de rir a ver as sessões fotográficas da gata [e a gata era mesmo linda].
Mas quando o Óscar chegou cá a casa descobri isso tudo. Aprendeu a não roer as pernas das mesas, a andar solto pela casa sem fazer asneiras, a ter o seu próprio wc e escolheu os melhores lugares ao sol para fazer as suas sestas. Passámos muitos serões no sofá, sempre a pedir festas com a cabeça ou simplesmente a dormir em cima de nós. Dei por mim escondida atrás da mesa a tentar filmar os duplos mortais encarpados que dava quando pensava que ninguém o estava a ver. Seguia-nos pela casa, onde ficámos ele também ficava. Respondia pelo nome e vinha quando o chamávamos. Eram assim os dias dele, e os nossos. E agora percebo. O dia em que ele não respondeu mais foi triste, muito triste. E até hoje ainda não tinha pensado mais nesse dia.
Fotografia Miguel Cachapa

2 Comentários
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2 Comentários

  • Inês Figueiredo

    Percebo perfeitamente o que dizes. O Bennie também era um coelho e deixou-nos este ano, apenas com 1 ano e meio de idade. Foi uma grande dor e dor essa que muitas pessoas não percebem, principalmente quem não tem animais em casa.
    Sim, pode ser giro vê-los em lojas, gostar de dar festinhas da rua… Mas é muito diferente quando um animal faz parte da família. Afinal, é isso que eles são, parte da nossa família, simplesmente são diferentes de nós. Cada um com as suas diferenças, cada um com o seu feitio.
    É triste existir pessoas que não percebem isso, na realidade, são elas que perdem. Porque apesar da nossa dor de os ver partir, o amor que temos por eles e aquilo que nos deram, é mais do que aquilo que lhes podemos dizer.
    Afinal, os sortudos somos nós!

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