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Cinema de bairro, cidade para sentir

“Escovem-me a alma, passem-me o coração a ferro”– dizia Vasco no filme “Canção de Lisboa”, num dos seus prantos e “ais” que tanto caracterizam o povo. E é pelo povo que se conhece um destino. Pelos talentos, saberes e méritos conquistados, também na sétima arte.

Concentrado em cenas do quotidiano, o cinema português ganha expressão pela mão de metragens clássicas, património e riqueza nacional. São expressão de pura arte mundana, que para estrangeiro, são postais vivos fascinantes, de como quem vai ao zoo admirar animais de outras espécies.

E comecemos pelo animal homem: o típico português. De brilhantina no cabelo, lustroso e penteado para trás. O macho latino enverga um porte forte e alto, de face robusta e mãos grandes do trabalho. Em tempos áureos dedicava-se aos lavores da terra. Daí fazia nascer batatas e couves que deliciam as mesas com pratos tão nossos como o caldo verde ou o cozido à portuguesa.

Pescador e conhecedor dos oceanos: o mar sempre foi a nossa expertize quer pela pesca abundante de espécies como goraz, rocaz, garoupa, atum e tantos outros, como pelos Descobrimentos mundo afora, no tempo das especiarias das Índias e cores de Vasco da Gama.

E como quem vê um filme de bandeira a preto e branco assim se figura o português: No bolso da camisa há um pente e na algibeira um lenço de pano, para manter a cara sem suor. Se de olhos fechados o tentarmos distinguir, facilmente identificamos odores como azeite de oliveira, alfazema e flôr de laranjeira, não tivesse o país ganho diversos prémios e menções pelas suas saboarias como Ach Brito, Castel Bell, Confiança ou Claus Porto. A própria Oprah Winfrey em 2007 inclui este último na sua lista “Oprah Favorite Things”.

Sem a fama de amante requintando, mas sim de galã destemido, o namorado português chora as suas dores em fados e serenatas ao som da guitarra portuguesa ou da sua nua voz.
É cortês e cavalheiro, reconhecendo os encantos e delicadezas femininas. Sofre por amor, por futebol e por vinho. As bebidas alcoólicas e licorosas são, talvez o nosso melhor cartão de visita pois somos produtores e reconhecidos por beverages como a ginja, o vinho do porto, licor moscatel ou vinho de mesa. “Obrigadinho, basta cheio!”- Assim se pede vinho no “Pátio das Cantigas”, outro filme épico português.

Com embriaguez na alma e bola na televisão, toda a nação se une esquecendo clubes de futebol rivais e diferenças triviais. Do Mourinho, ao Ronaldo, os heróis nacionais são intemporais. Português não há que não saiba jogar à bola ou as regras das quatro linhas brancas do campo relvado. Mais que um desporto querido, é um aficcionismo que dita o humor e estado do país, qual previsão astrológica. Sabem-se de cor as vitorias e derrotas, ao pormenor da cor da bola e estado do tempo na data dos acontecimentos. É tema de taberna, intervalo de novela e sempre que as palavras escasseam. Certo e sabido é, que todos ficam mais sorridentes e felizes em dia de vitória.

A fêmea portuguesa é tagarela, sem vergonha de se expressar e com uma frontalidade por vezes assustadora. Comenta sobre o árbitro cegueta, a vida da Maria Antonieta ou o difícil fardo do quotidiano. Não conhecida como um ser delicado, é forte e despachada, como em grande parte das civilizações fora do velho continente.

O seu dia começa com um vestir 7 saias coloridas, sem no bigode reparar, na esperança do lenço na cabeça a embelezar. Nas orelhas enverga brincos dourados e muito trabalhados que se estendem pescoço abaixo junto dos cabelos negros.
A mulher portuguesa moderna sonha com estereótipos franceses, seja da belle epoque ou das passarelas de Yves Saint Laurent. Cinturas esguias e apertadas ganham na fisionomia da mulher nacional outro redondo, pelos robustos ombros e anca ancha que a caracterizam, fazendo dela uma figura singular e esbelta.

Traída pelos enchidos e doces fartos com que o país se orgulha, a silhueta desfeita pode ser argumento de insulto ou brincadeira. “As gordinhas são mais bem-dispostas” é um preceito comum e aceitável.

Ela é motorista, lojista e modista e por vezes até exibicionista- quando passa vaidosa agarrada ao melhor marido do bairro. Habituada ao desdém alheio, cuida do seu homem como quem defende o território.
Quando dona de casa é prendada e aprumada, mas não é atoleimada! Controla o horário dos da casa, sem cerimónias, registando mentalmente cada gesto ou atitude para mais tarde reclamar ou premiar.
E assim somos tratados neste Portugal de hospitaleiros, sem cerimonias mas com gestos sinceros, de gente cuidada e dedicada tal como nas películas. Nestas premiadas obras cinematográficas nos revemos em cenários idênticos de portugalidade simplória, mas com encanto de fazer bem ao coração. Fica a sensação de proximidade em casas de bairro e simpatia de quem se conhece, partilhando à mesa uma cartada portuguesa, brindada de fado e tinto.

Esta é a capital do país, em ponta extrema da península ibérica virada ao sol e ao rio. Que melhor destino para encontrarmos tradições em admiração absoluta de uma Lisboa sempre jovem, “menina e moça”. Uma metrópole que dispensa apresentações, tal é a riqueza das obras de trovadores, poetas e cantantes.

Um passeio por Lisboa
Recomenda-se um passeio pedonal pela baixa da cidade, com saída na estação de metro de Marquês de Pombal – marco da reconstrução das avenidas em art déco pós terramoto de 1755. Pontos de passagem:
– Avenida da Liberdade: lojas de haute-couture, esplanadas de rua e edifícios em art-deco
– Rossio e Baixa: em estilo manuelino visita à estação de combóio do Rossio, com subida pelas escadas e calçada do duque rumo às ruínas do Carmo. Visita ao Chiado ao Café Brasileira junto à estátua de Camões. Visita à sala de eventos do Hotel Borges e admirar os ricos lustres e decoração da sala
– descer até à rua do Coliseu, bebendo uma ginjinha e seguindo rumo ao Terreiro do Paço para admirar o Tejo no cais das colunas e desfrutar das novas esplanadas
– visita a Alfama para jantar e ouvir fado

Museus e Monumentos a Conhecer
– Cinemateca Portuguesa (metro Avenida na R. Barata Salgueiro)
– Mosteiro dos Jerónimos (autocarro 28 ou 27)
– vila de Sintra (saída combóio estação do Rossio)
– Sé de Lisboa
– Feira da Ladra e visita ao Panteão Nacional

Restaurantes e Cafés recomendados
– Chapitô no Castelo
– Zona de restauração de Alcântara
– Varandas de Lisboa do Hotel Mundial no Martim Moniz
– Café Choupana na Avenida da República
– Café do Miradouro de S. Pedro de Alcântara entre o Principe Real e o Chiado
– percorrer as ruas do Bairro Alto ao cair da noite

Estadia
Hotel Unique Memmo Alfama desde 160€

Evitar:
– Cervejaria da Trindade
– hop on hop off autobus
– subir o elevador de Santa Justa. Recomenda-se a visita via Ruínas do Carmo
– ouvir fado no Bairro Alto. O típico é de Alfama

Artigo: Catarina Varão
Fotos: Filipa Simões de Freitas

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